COMO SOBREVIVER AO PRÍNCIPE QUE NA VERDADE ERA SAPO

Gabi Barboza

O príncipe não se torna um sapo. É o sapo que vem disfarçado de príncipe. Já dizia Vovó: “cuidado com esses caras que começam trazendo flores”. Durante minha adolescência, eu era muito ingênua para entender como uma pessoa que me trazia flores, merecia atenção especial e pouca confiança.

Estava ainda na fase de acreditar que os amores das novelas das seis e dos filmes eram fáceis de ser vividos. Nem imaginava que alguém pudesse brincar com meus sentimentos. O tempo me mostrou que a Vovó estava certa. Vovó era do tipo que dava conselhos diretos como “se quer falar com você, faz um favor; se não quer, faz dois! Liga não, minha filha, ele não te merece!”.

Talvez, possa existir algum sujeito que comece um relacionamento com flores e seja mesmo, um gentleman. Digo “talvez”, porquê, de tudo que aprendi na Escola da Vida, na disciplina “Sofrer por Amor”, o resultado das flores no início é: sinal claro de homem-cafa se aproximando com sucesso. E a aproximação é um perigo. O homem-cafa, nada mais é, que esse sapo horroroso que vem disfarçado de príncipe. Ele começa como o melhor namorado do mundo… Está acima de qualquer suspeita, flores e chocolate com lindos cartões – que a atendente da floricultura quem dita o que escrever, por que ele não sabe o que é amor – são seu cartão de visita. É “a melhor” pessoa do mundo. Fala em tom baixo, sempre calmo e tudo que você pede, ele faz. Mas, graças ao senhor tempo, isso dura pouco. Os mais cafas, conseguem fingir por muitos anos. Já ouvi muito a frase “estava casada há 8 anos com um desconhecido”. Geralmente, por volta de 2 anos de relacionamento, já é possível perceber que aquele biltre nunca foi príncipe e que algo está errado no comportamento dele.

As mentiras são descobertas, uma pior que a outra. Você percebe que ele trata os pais e os familiares de forma bem diferente da que ele te trata – dica: a forma com que ele tratar a mãe, será a forma que te tratará depois de uns tempos. As mensagens demoram a ser respondidas. O ciúme fica assustador – ele vai te ver como algo que ele possui, julgar ser seu dono – e ele passará a querer controlar com quem você sai, como sai, que roupas usa e ai de você se não atender quando ele ligar, se não deixar ele mexer em seu celular. As primeiras grosserias virão acompanhadas de desculpas como: “estou estressado”, “bebi demais”, “é que te amo demais e não suportaria te perder” ou coisa do tipo. E as brigas que se tornarão rotina, terão como acompanhante do pedido de perdão e promessa de nunca mais “fazer isso”, algum presente – o presente é para te comprar e impedir que você reflita sobre o comportamento dele.

Quando tudo isso chegar a ponto de fazer você pensar se o príncipe se tornou um sapo, parabéns! Você tem amor próprio o suficiente para perceber que ele te enganou o tempo todo. Não vale à pena conviver com um sapo por medo da solidão, medo de “não aguentar”, vergonha dos amigos, por ele ser “isso” ou “aquilo”, por ser lindo… Nada justifica você continuar um relacionamento com quem não te respeita. Você não nasceu agarrada a ele. Se desprenda, por favor! E que seja definitivo, hein?! Não embarque na loucura do “ah, dessa vez vai dar certo” ou “agora ele mudou”. Não vai dar! Ele não mudou!

Relacionamentos que terminam e recomeçam, só serve para que o respeito termine. O fim deve de fato ser o fim. É doloroso, mas suportável.

Não precisa postar fotos como privacidade para ‘público’ nas redes sociais, linda e maravilhosa com legendas como “antes só do que mal acompanhada” nem anda do tipo. Isso é indireta, ele vai saber que é para ele e pior: vai sentir que você fez isso só para o atingir. Aí, ele vai postar uma foto, beijando outra. Pronto. Você vai ficar pior. Chore tudo que tiver de chorar. Se acabe numa panela de brigadeiro, se for necessário. Mas não volte.

A pior dor dele, será perceber que te perdeu de verdade, que você está bem e feliz sem ele. Isso é um ponto final de verdade. E caso um dia, alguém disser para voltar e dar segunda chance, tenha em mente: café requentado não presta. Uma vez sapo, sempre sapo. Ele pode mudar algumas atitudes, mas nunca será príncipe. Isso é muito sério. Ele pode fingir ser alguém que te merece, mas não merece. E você, merece um príncipe.

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Gabi Barboza

É graduanda em Psicologia, tem 32 anos. Como o que faz o mundo dela girar, são as pessoas, trabalha com Recursos Humanos. É mineira, bem casada com um Gaúcho lindo. Mora em Porto Alegre desde 2012. Está sempre lendo e ama escrever. Se sente rica, por ter vários livros em uma estante que é o seu tesouro. Ama se engajar em causas sociais, crê que a única coisa que levamos desse mundo, é o que plantamos. E que as boas obras, são fundamentais.


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