Como as formigas me ajudaram a entender Deus

Diego Brígido

Esqueça tudo o que os livros – inclusive os sagrados – dizem sobre a criação, sobre as deidades, os profetas, apóstolos e santos. Pode se convencer de que nada disso existe, se você preferir, se você for daqueles céticos, que só creem no que podem ver.

Tudo bem se você acredita que somos filhos de uma grande explosão cósmica que ocorreu há cerca de 15 bilhões de anos. E tudo bem se você acha que todos os seres vivos evoluíram de organismos similares a bactérias, que viviam nos mares primitivos. Sério, tudo bem mesmo.

Até agora a ciência não conseguiu responder com precisão este que é o maior questionamento da humanidade: de onde viemos? Talvez nunca saibamos, então, tudo bem se você acha que algo explodiu e bum – fez-se a vida. A questão é se você já pensou que para que algo tenha explodido era preciso que esse algo já existisse. E que para termos evoluído de uma calda morna de bactérias, estas precisariam ter surgido de algum processo também preexistente. Puts! Voltamos ao zero – ou ao ‘não zero’.

Desde os primórdios, todas as sociedades tentam explicar o surgimento do mundo e das espécies. E talvez todas tenham encontrado respostas nas religiões, afinal aquilo que a ciência não explica, precisa ter alguma explicação – ainda que sobrenatural. E tudo bem se você acha que Maomé, Jesus e Buda são apenas personagens simpáticos de uma história mal contada. E que Adão e Eva jamais tenham existido no tal paraíso. Tudo bem, sério!

Esqueça tudo o que os livros – inclusive os sagrados – dizem sobre a criação, sobre as deidades, os profetas, apóstolos e santos. Pode se convencer de que nada disso existe, se você preferir, se você for daqueles céticos, que só creem no que podem ver. Mas olhe a sua volta e certamente irá perceber que a grande maioria das coisas não tem uma explicação convincente baseada na ciência.

Tudo o que não é criação do homem, é da Natureza – com letra maiúscula porque aí está implícita uma força superior com a qual já nos habituamos a conviver e por isso não questionamos. Você já parou pra pensar o quão complexo é o corpo humano, que entende, por exemplo, que precisamos continuar respirando ainda que estejamos dormindo? E que produz os sonhos, baseados em experiências armazenadas em nossa mente, sejam elas físicas ou espirituais (conforme sua crença). Ou ainda que nos remete aos longíquos tempos da infância, quando sentimos um aroma familiar?

E as sementes que guardam em seus minúsculos corpos material orgânico que ao encontrar a terra, a água e a luz revelam frondosas árvores, que dão os frutos que alimentarão animais, responsáveis por fazer este ciclo recomeçar? E os animais que, mesmo sem a complexidade do organismo humano, rendem-se ao amor e tornam-se nossos verdadeiros companheiros?

O que explica as propriedades curativas de centenas ou milhares de plantas encontradas espontaneamente na natureza? E a importância de cada inseto que para nós parece insignificante? O equilíbrio da formiga que carrega folhas muito maiores que seu corpo? Como seria a Terra hoje se os primitivos dinossauros não tivessem sido extintos para que espécies mais evoluídas povoassem o planeta?

O que dizer das paisagens de tirar o fôlego que encontramos no mundo inteiro e dos espetáculos protagonizados pelos pores de sol ou ainda do encantamento que nos despertam os arco-íris? Os mais céticos dirão que nada mais são que processos físico-químicos, resultados do encontro da luz com a água ou coisa do gênero. Tudo bem, mas de onde vieram os elementos que definiriam que a cor azul seria azul?

E aquele calor no coração que sentimos quando encontramos alguém muito querido ou o frio na espinha quando passamos por um lugar ermo? Você saberia explicar por que algumas coisas nos emocionam bem mais que outras? Aquela lágrima que surge antes mesmo do pensamento? E aquela voz no ouvido que insiste em dizer pra você não sair de casa?

Olhe para um bebê recém-nascido e pense em cada transformação pela qual ele passará. Pense em todo o processo – não físico – por que ele passou até chegar àquele ventre. É tudo perfeito demais para ser explicado pela ciência – do início ao fim. Principalmente porque a ciência foi inventada pelo homem. E antes dela, como era? O fato é que era!
Muitas coisas não são explicadas pela racionalidade, mas precisam ter uma explicação, uma origem. A ciência deixa muitas lacunas ao tentar justificar a maravilha que é esta experiência. Nada na vida ‘é, e pronto!’. Há uma causa maior e a vida continuará nos surpreendendo. Precisamos desligar o piloto automático da nossa existência e aprender a contemplar aquilo que aparentemente não tem explicação. Precisamos aprender a sentir Deus em cada instante das nossas vidas.

Tudo bem se a imagem que fazemos de Deus é muito fantasiosa pra você, é que as religiões o personificaram para facilitar nossa aceitação. O fato é que Ele está lá, em algum lugar, regendo esta grande e perfeita orquestra que é o mundo. E tudo bem se você não sabe dizer de onde Ele surgiu, já que tudo surgiu Dele. Tudo bem, mesmo!

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Diego Brígido
Outras paixões: vinhos, jazz e plantas. Aromas de vinhos, sopros de sax e cheiros de plantas. Há lugar melhor para vivenciar tudo isso do que em uma Mesa Na Varanda? Puxa uma cadeira, chega mais..

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