CARTA PARA QUEM JÁ PERDEU UM AMOR

Iandê Albuquerque

Às vezes, a gente precisa escolher entre acabar algo ou esperar que isso acabe com a gente.

Por mais louco que seja, a gente ainda se ama, só não estamos mais juntos. A gente ainda se ama, só decidimos seguir caminhos diferentes, sozinhos. A gente ainda se ama, só que agora, sem dormir juntos, sem trocar experiências, sem ensinar e aprender um com o outro. Não que eu não tenha aprendido com ela. Aprendemos bastante juntos, mas nem tudo chega ao fim porque a gente quer. Às vezes é só porque precisamos colocar um ponto final.

Dizem que quando é amor, o relacionamento nunca acaba. Mas você já parou pra pensar quantos relacionamentos ainda continuam de pé mesmo sem amor? O nosso chegou ao fim e posso dizer com toda certeza do mundo que existiu amor, do começo ao fim. Provei o gosto de todas as sensações que o amor pode proporcionar, mas às vezes, as coisas terminam, perdem o sentido, perdem a razão. Se você já abriu mão de alguém mesmo amando tanto, acho que você me entende.

Ainda me perguntam: ”Se você ainda gosta tando dela, por quê terminou?”. Eu sempre digo que amar alguém não é o suficiente pra ficar com essa pessoa. É preciso, que o outro esteja disposto a te fazer bem, a se entregar sem medir esforços, a mergulhar com você sem medo, a seguir todo o caminho, nem atrás, nem na tua frente, ao teu lado.

É preciso que o outro esteja se sentindo bem ao estar com você, porque amor é entender a razão pela qual o outro desejou te incluir na vida dele, é entender todos os motivos que te mantém com aquela pessoa, é não ter motivos pra duvidar do sentimento entre os dóis, porque quando há dúvidas, significa que o amor está perdendo o sentido. E quando perde o sentido, a gente precisa pôr um fim.

Não é nada fácil acabar um relacionamento com alguém que você ama pra caramba. Digo isso porque já me perdi na respiração de alguém a ponto de perder a noção do tempo, já perdi o controle de mim mesmo, fiz coisas que eu jamais pensei que faria por alguém, tentei dar o máximo de mim pra acertar sempre, e mesmo errando às vezes, tentei reparar os meus erros.

Digo isso porque aprendi a conviver com os defeitos de alguém que eu nunca pensei que suportaria, já esperei por cinco horas e meia essa pessoa chegar porque ela tinha se perdido no meio do caminho.

Já liguei pro médico dela pra perguntar qual remédio ela deveria tomar porque eu não entendia direito o que estava escrito na receita. Já tentei ler sobre assuntos que eu não conseguia compreender só pra aprender alguma coisa e ajudar de alguma forma, li livros que eu nunca me interessei, assisti filmes que eu não queria só porque a companhia dela me fazia bem e o jeito que ela deslizada a ponta dos dedos em meu braço era melhor que qualquer terapia.

Eu sei o quando é difícil acabar com alguém que você ama pra caramba, porque já tive crise de ansiedade por chegar em casa primeiro que ela, e não ter recebido nenhuma mensagem dela me dizendo que tinha chegado bem. Já senti a aflição de ver alguém que você ama no hospital, por não receber nenhuma ligação dessa pessoa durante um dia inteiro. Já senti uma vontade absurda de dar o mundo pra alguém, e por não poder, dei meu coração.

A gente ainda se ama muito, mas infelizmente isso não é o suficiente. Às vezes bate uma vontade de ligar, mas não posso. Não posso porque nós não somamos mais, não acontecemos, você me entende? Por mais que eu queira e saiba que ela também quer na mesma intensidade, sabemos que o nosso amor não foi feito pra durar uma vida inteira. Às vezes, a gente precisa escolher entre acabar algo ou esperar que isso acabe com a gente.

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Iandê Albuquerque
Sou recifense, 24 anos, apaixonado por cafés, seriados e filmes, mas amo cervejas e novelas se houver um bom motivo pra isso. Além de escrever em meu blog pessoal e por aqui, escrevo também no blog da Isabela Freitas, sou colunista do Superela e lancei o meu primeiro livro em Novembro de 2014 pela Editora Penalux. .

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