CALMA! POR PIOR QUE SEJA O MOMENTO ATUAL, ELE VAI PASSAR

Sílvia Marques

Uma das coisas mais terríveis que enfrentamos quando passamos por um mau momento na vida é sentir que aquela fase não vai acabar. Racionalmente falando, sabemos que tudo passa: o bom e o mau, o alegre e o triste, o melancólico e o eufórico, o tedioso e o entusiasmado. Nada dura para sempre, o que pode ser muito bom ou muito ruim, dependendo do contexto vivido.

O problema é que quando estamos imersos numa crise depressiva , num luto, quando estamos doentes fisicamente ou emocionalmente, quando alguém amado está doente , quando nos desapontamos profundamente com uma pessoa querida, temos a sensação de aquela dor , aquela mágoa , aquela sensação de desespero e estupefato nunca irão encerrar seu ciclo medonho de devastação.

Quando estamos muito tristes , amargurados , decepcionados, é como se uma venda fechasse os nossos olhos. É como se uma névoa turvasse a nossa visão…ouvi este pensamento de uma médica há muitos anos e nunca me esqueci dele.

A tristeza profunda nos rouba a nossa perspectiva de futuro e tudo de repente fica tacanho, apequenado. É como se não houvesse outras possibilidades. Por exemplo, quando se perde a chance de ingressar em uma boa empresa: quando recebemos a resposta negativa , temos a sensação de que outros bons processos seletivos nunca mais irão aparecer. É como se estivéssemos perdendo uma oportunidade única.

Outro exemplo: quando um amigo que considerávamos muito especial, tira a máscara e se mostra uma pessoa bem diferente daquela que imaginávamos, podemos ficar meio inseguros em relação a futuras amizades, o que para mim é um erro grave. Deixar de abrir o coração porque existem pessoas extremamente maldosas ou simplesmente indiferentes no mundo é o mesmo que dar a vitória a elas. A coisa mais preciosa que alguém pode nos roubar é a fé nas outras pessoas e na possibilidade de construir vínculos fortes e verdadeiros.

Quando terminamos um relacionamento amoroso e ainda desejamos o nosso parceiro ou imaginamos desejar mergulhamos no mais fundo e frio dos poços. Como já dizia Freud , a dor do amor é uma das mais devastadoras dores que existem. Ninguém é obrigado a ficar com ninguém. Ok. Mas alguns términos são muito abruptos e por tal razão muito traumáticos pois a pessoa fica com menos recursos para se adaptar à sua nova situação. Se um relacionamento encerrado de forma razoavelmente tranquila já deixa marcas , imaginem um terminado de forma desajeitada?

Enfim, não importa como esteja o seu momento atual. Não importa os fardos que estamos carregando no atual momento. Não importa o quanto estamos cansados e desanimados. Mais cedo ou mais tarde , este momento trágico passa. Para o nosso bem e para o nosso mal, a vida é cíclica e as coisas não permanecem nos mesmos lugares por muito tempo.

 

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Sílvia Marques
Viciada em café, chocolate, vinho barato, filmes bizarros e pessoas profundas. Escritora compulsiva, atriz por vício, professora com alma de estudante. O mundo é o meu palco e minha sala de aula , meu laboratório maluco. Degusto novos conhecimentos e degluto vinhos que me deixam insuportavelmente lúcida. Apaixonada por artes em geral, filosofia , psicanálise e tudo que faz a pele da alma se rasgar. Doutora em Comunicação e Semiótica e autora de 7 livros. Entre eles estão "Como fazer uma tese?" ( Editora Avercamp) , "O cinema da paixão: Cultura espanhola nas telas" e "Sociologia da Educação" ( Editora LTC) indicado ao prêmio Jabuti 2013. Sou alguém que realmente odeia móveis fixos.

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