As vezes uma limitação é mais uma oportunidade de aprender

Iara Fonseca

Muitas pessoas permanecem presas em seus casulos. Casulo existencial, motivacional, interno, externo, profundo, superficial. Podemos entender “casulo”, de diversas formas diferentes. Querem alguns exemplos?

Vamos lá.

Muitas pessoas se consideram livres, pois são despachadas, corajosas, não se prendem em casa, não ficam com medo das coisas, se jogam mesmo na vida, mas isso tão pouco leva a considerá-las pessoas fora do casulo se elas não acreditarem em Deus, e digo o motivo. Durante séculos e séculos de negação de Deus, formam-se muitas couraças, uma em cima da outra, mascaras que são usadas para cada ocasião no dia a dia. Escuto por aí, que as “máscaras” são para proteção. Mas será que essas camadas protegem, ou apenas endurecem o ser?

Elas impedem as desilusões? Eliminam as frustrações da vida?

Acho que não.

Mas sei bem o que impedem. Impedem de sentirmos o verdadeiro sabor da vida, o real perfume, a correta e clara lei do amor. Porque a luta entre a luz e a treva está sendo travada dentro de cada um de nós. Alguns fecham os olhos para essa guerra que está acontecendo bem dentro de seus corações, e começam a criar essas “cascas”, e são essas que chamam de proteção?

Emmanuel, espírito obstinado no trabalho, amado amigo, nos disse em seu livro “O Mundo Inteiro é um Belo Pensamento”, que só o titulo já explica tudo. Em suas páginas ele diz: (…) camadas, mais camadas de negações de Deus, prendendo à forma física tantas almas, não podem se remover de uma hora para outra como qualquer operação cirúrgica: elas precisam da resistência a ser vencida pela exaustão durante a experiência. Infelizmente muitas experiências hão de ser dolorosas e negativas até certo ponto, depois do qual pode o conhecimento ir avançando pela luz, pelo prazer. Onde há um grande desejo de evitar a verdade e a responsabilidade, pode o prazer ser usado como escapatória melhor que o aprendizado. Naturalmente haverá negação de qualquer responsabilidade pela dor, mas sem a dor, a questão da responsabilidade nem chegaria a ser levantada (…).

Sábias palavras, de um ser que já passou por tudo que estamos passando e que se compadece e só quer ajudar. Muitos ainda vão dizer: Eu não gosto do Espiritismo. Eles fazem do sofrimento uma obrigação, dizem que temos que sofrer para aprender. Já ouvi muitas coisas nesse sentido e digo a você que pensa dessa maneira que, mais uma camada estará vestindo e que não é fácil retirá-la, e se continuar negando a verdade, ainda assim, não conseguirá escapar completamente do sofrimento, pelo menos não enquanto não compreender o que veio aprender. E nesse caso, posso confiar plenamente no Espiritismo e ainda em outros mestres de outras religiões que já disseram isso.

Continuando, peço para que tenha paciência. Isso mesmo. Terá que treinar essa paciência de todas as maneiras que forem possíveis. Uns fazem Yôga, outros praticam Artes Marciais, trabalham com argila, usufruem da natureza em trilhas ecológicas e passeios por quedas de cachoeiras e buscam nela o remédio para suas ansiedades. Desta forma, conseguem permitir dar-se a erosão de camada após camada das barreiras existentes nos ciclos humanos.

Vocês vão ver meus amigos, que o que se tem às vezes como calamitosa limitação é mais uma oportunidade de aprender e quanto mais rápido aprendemos, tão rápido a dor se vai.

E alguns vão questionar: “Assim então é muito fácil Iara, você está dizendo que é só agente pegar um pouco de argila, brincar e então seremos pacientes com as vicissitudes da vida”. E eu digo a esses: obviamente não. Tudo na vida exige esforço, determinação e resistência. Você não consegue fechar aquele negócio que há tanto tempo ambiciona se disser apenas duas palavras e trabalhar somente um dia em cima dele, existem projetos que duram meses, outros anos, até que venham a ser aceitos.

E para alcançarmos alguma melhoria em nossas vidas, precisamos desta mesma determinação e perseverar até alcançar o ponto desejado.

O que acontece com a pessoa que não se sente bem, e que se encontra deprimida, é um completo e constante desequilíbrio energético que a impede de entrar em contato com o novo para não desequilibrar ainda mais, prefere, e nesse caso até eu concordo, que ela deva ficar no casulo até decidir buscar uma ajuda no sentido de tentar equilibrar as coisas que ficaram sem solução, oras, é preferível, pois se não resolver os problemas antigos e continuar a se deparar com o novo, o caso pode piorar. Já dizia Piagget.

O teórico em Educação Piagget dizia que para alcançarmos o conhecimento cognitivo passamos por um processo que ele denominou “Equilibração”, segundo ele, entramos em contato com o novo e nos desequilibramos imediatamente, num segundo estagio buscamos a assimilação do que nos aconteceu e só depois dessa assimilação é que poderemos alcançar o equilíbrio novamente, se tivermos força e tranqüilidade para seguir a diante com o próximo passo, que é a acomodação do acontecimento em lugar estratégico dentro de nós mesmos. Quando a pessoa se depara com o novo e não consegue “assimilar”, muito menos “acomodar” o assunto, o desequilíbrio se torna constante e fica difícil sair do casulo mesmo, se não tratar dos assuntos pendentes e volto a fazer conexão com o trabalho de vocês, que se deixarem assuntos pendentes na sexta-feira, na segunda irão ter muita dor de cabeça, é basicamente isso, não é? Pois pensem.

Então o que eu devo fazer? Tenho vários assuntos pendentes dentro de mim, quero sair do casulo.

Pois bem, esse é o primeiro passo. Parabéns. O segundo é você parar de achar que todos os assuntos espirituais devem ficar em segundo plano, quando deve colocá-los em primeiro lugar em sua vida, dar a devida importância as questões internas, daí fica bem mais fácil se equilibrar, fica viável para as energias positivas, conduzirem você, enquanto não decretar isso, infelizmente, continuará trabalhando para a energia negativa e ainda pior, sem perceber.

E volto a citar Emmanuel, que fala muito bem sobre esse assunto e nos diz que o amor que temos como verdade eterna é o fio condutor que há de nos orientar, através de muitas encarnações, na direção do objetivo final. E este fio é muito delicado, mas também, muito forte, e desta forma vamos tecendo cada época, quando por fim todos voltarem a ser um com Deus e plena e conscientemente sabedores disso, ele nos promete que não haverá momento em que olhem alguma forma de vida e digam “Quanta tolice” Hão de dizer: “Quanto amor à procura de si mesmo!”

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Iara Fonseca
Jornalista, poeta, educadora social, fundadora e editora de conteúdo do Rede de Ideias: PRODUÇÃO DE CONTEÚDO. Seu interior é intenso, sempre foi, transforma suas angustias em textos que ajudam muito mais a ela própria do que a quem lê. As vezes se pega relendo seus textos para tentar colocar em prática aquilo que, ela mesma, sabe que é difícil. Acredita que viemos aqui para aprender a ser, a cada dia, um pouco melhor, para si mesmo, e para o outro!

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