A arte de culpabilizar

Resiliência Humana

Perversos são habilidosos na arte de culpabilizar. Quando o relacionamento chega na fase de desvalorização, aquela em que a ponta perversa da relação não precisa mais endeusar a outra e pode começar a mostrar suas verdadeiras cores, culpar o outro por absolutamente TUDO é uma constante.

Quando chega nessa fase, tudo o que tiver prometido a você não poderá se concretizar por que VOCÊ fez algo que impossibilitou a realização dos sonhos do casal. Da mesma forma, todas as suas “mancadas” deverão ser desculpadas ou toleradas com base naquela sua conduta que sempre põe tudo a perder.


Se você não tiver feito absolutamente NADA de errado, sossegue seu coração: a parte perversa vai encontrar algo, algum “podre” seu, e se não encontrar, vai inventar alguma coisa. Quando tiver na manga sua desculpa, a usará para torturar e inculcar culpa de forma tão insidiosa que, a um certo ponto, você se verá pedindo perdão por tudo o que nunca fez, mas que a você foi atribuído. É uma lavagem cerebral e a água de enxágue é a culpa. Há quem nunca, nem depois de anos de ruptura, se livre dela…

Faço uma pequena parentese para dividir com você um hiato da minha convivência com um perverso narcisista.

Depois de muito vasculhar a minha vida, não encontrou uma desculpa a qual se apegar. Eu não tinha filhos, ex-marido, coisas das quais me envergonhava de ter feito e tinha tido apenas um relacionamento importante ao longo da vida. Então CRIOU uma história sobre um tórrido caso de amor que eu teria tido com um professor casado da faculdade. E ali se apegou. Foram anos de torturas psicológicas e muita explicação em vão.

A um certo ponto parecia que vivíamos em três: eu, ele e o professor. Todas as suas mazelas eram justificadas assim:

“Eu tenho crédito com você. Meu jardim estava tão lindo, mas você o destruiu com seu caso de amor. Você queria estar com ele, mas ele não te quis e eu fui a segunda opção. Você gosta de homem casado. Eu vou começar de novo, vou encontrar uma mulher sem passado e tudo o que fiz para você, vou fazer ela, porque eu mereço ser feliz…”


Era um desespero absurdo a ideia de ser abandona pelo melhor homem do mundo simplesmente porque era impossível provar que aquilo nunca aconteceu. Como provar o contrário de uma criação da cabeça de alguém? Quando se cria, tudo se molda para que pareça sempre verdade. Era uma batalha sem fim. Me lembro de sair, 4 anos mais tarde, extenuada e dizendo:

“Eu sinto muito se estraguei tudo quando fiz algum comentário inadequado que possa ter levado você a pensar isso de mim e de um professor que não deve sequer lembrar de minha existência.”
Sim, a um certo ponto eu realmente achei que a culpa era minha.
Para sua referência, dar uma lista de ALGUMAS desculpas utilizadas por pessoas perversas. Elas podem ser reais ou inventadas.

Conheça alguns exemplos:
– Você tem filho, essa criança nos impede de ser feliz. Se você me amasse, deixaria essa criança para me seguir. Tudo o que planejei com você jamais será concretizado com essa criança entre nós.
– Você tem passado. Sim, você já teve outros parceiros e provavelmente ainda nutre sentimentos por essas pessoas e só está comigo como segunda opção.
– Durante os meses que lhe abandonei, por culpa sua é claro, você saiu com outra pessoa e isso me envergonha e me machuca, não posso superar.
– Você olha para todo mundo. Você não tem o “pescoço duro”. Eu sei que mais cedo ou mais tarde vai me trair.
– Você prefere sua família a mim, seus amigos a mim. Eu abomino sua família ou seus amigos.
– Você tem amantes. Sim, fulano de tal é seu/sua amante.
– Quando você descobre uma mentira ou traição fuçando em suas coisas, a culpa é sua por mexer onde não devia. Você traiu a confiança mexendo em suas coisas escondido, logo, não é mais possível confiar em você.
– Você me pressiona demais, me cobra demais, me ama de menos, tem passado demais, por isso eu fui obrigado(a) a trair você, mesmo te amando.
– Você mente. Você traiu minha confiança e você sabe bem o por quê. (essa quase sempre vem desacompanhada de explicação lógica ou concreta e acompanhada de um olhar de “eu te peguei!”).
– Usa também traumas, abusos sofridos ou mau comportamento seu confidenciados durante a fase em que era ouvinte.

Portanto, caros leitores, vocês que me escrevem perguntando se será que não é mesmo culpa sua as coisas não terem dado certo, prestem bem atenção nesse texto e respondam:
Você já viu esse filme?

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