Amor não combina com cobrança. Quem ama não precisa disso.

André J. Gomes

Ahh… gente que ama. Por favor não misture as coisas. Não perca seu tempo de amar com cobrança nenhuma. Amores e cobranças não combinam. Quem precisa cobrar amor já não ama nem é amado.

Amar é não ter de cobrar nada! Cobranças pertencem às relações comerciais, às transações financeiras, às obrigações burocráticas. Cobrar é o estágio final. Geralmente, depois de feito o serviço, depois de entregue o produto, vem a cobrança.

Em qualquer relação, cobrar é o último passo, o fim do caminho, o recurso final. Quem toma dinheiro emprestado e não paga recebe uma cobrança.

Quem atrasa a fatura do telefone, a parcela de carro, o aluguel, a conta de luz, é justamente cobrado. Quem deve tem de pagar.

Entre os que amam, cobrar também é o expediente derradeiro. A estação terminal.

No amor não vale cobrar nem ser cobrado. Quando a cobrança se faz necessária, é porque já não há crédito. Já não se ama.

Quem faz a cobrança e quem a merece não são mais os mesmos de antes, não se deram conta ou não querem aceitar o óbvio: acabou a espontaneidade, primeiro sinal do fim do amor.

É tão simples! O que não é espontâneo é induzido, forçado, compulsório. E o que se cobra não é natural. Pronto.

Exceto no caso das mães, donas do direito de reclamar um telefonema de seus filhos quando bem entenderem, ninguém devia reivindicar atenção de seus namorados, namoradas, maridos, esposas.

Isso é mendicância, falta de amor próprio. Dificuldade de viver sua própria vida. Falta do que fazer.

Faça o teste. Cobre. Cobre, sim. Cobre muito! O tempo todo, cobre amor, carinho, consideração, reciprocidade. Cobre. É o jeito mais fácil de atentar contra si mesmo, destruir sua autoestima e afastar quem estiver perto.

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André J. Gomes

http://www.revistaletra.com.br/
Jornalista de formação, publicitário de ofício, professor por desafio e escritor por amor à causa.


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