Amizade colorida funciona?

Resiliência Humana

Por Samara Rosenberger

Compartilhamos tudo, mas somos só amigos. Oi?

“Vamos ser só amigos!”. Quem nunca ouviu essa frase que atire a primeira pedra. Nunca vivi um momento de tanta superficialidade nos relacionamentos. E se você decidiu clicar aqui e está lendo isso, provavelmente, compartilha da mesma opinião.

Conversei com várias amigas – isso há alguns meses – e a reclamação é sempre a mesma. Efemeridade, vazio, liquidez… Por que, afinal, as pessoas estão fugindo de relações profundas? Por que se recusam a se jogar de cabeça no mundo do outro, a compartilhar momentos bons, sentimentos conflitantes, tristezas, decepções e conquistas?

Confesso que já parei para pensar muito nisso e, sinceramente, não encontrei uma resposta. Às vezes acho que alguns optaram por medo. Medo de se decepcionar de novo, de sofrer, de machucar a si mesmo ou até o outro. Talvez, não queiram compromissos pela ânsia do espirito livre, da loucura de viver o hoje e agora. Nada mais.

Bom, eu sempre escrevi meus textos em terceira pessoa para me preservar. Mas preservar pra quê?

Conheci um cara há uns três meses que fazia a questão de frisar – sempre que tinha oportunidade – o quanto era a favor do poliamor, de conhecer pessoas novas, de passar um dia com uma pessoa e transar com outra à noite. De ser livre. Aquilo simplesmente não me descia. Sim, eu pensava: ‘Que porcaria é essa? O que estou fazendo aqui?’

Mas, sei lá, por carência, por gostar dele com o decorrer do tempo, optei – sim, eu escolhi – continuar naquela pseudo-relação. Com o passar dos dias, das semanas, fomos no curtindo mais, nos conhecendo melhor. Eu abri meus segredos, meus medos, minhas feridas.E ele fez o mesmo.

Cheguei a pensar que ele poderia ter mudado de ideia e optado por uma relação comigo, mas nada feito. Continuava a me chamar de amiga, fazia questão de enfatizar que eu não era especial em relação às outras pessoas e que não devia satisfações da vida dele a mim. Mas sim, ele queria um ombro pra chorar quando precisasse, alguém para dividir as conquistas, alguém pra contar da vida.

Aos poucos, comecei a me sentir muito mal. Senti que havia perdido o mais importante, o meu bem maior: a minha identidade. Já aconteceu isso com você? Abriu mão dos próprios desejos, dos sonhos, por causa da uma pessoa? Eu esqueci de quem era e do que realmente queria.

Um dia, um amigo me abriu os olhos e disse: “Samara, você não precisa passar por isso. Você não precisa conversar se não quiser, não precisa se encontrar se não quiser”. E eu simplesmente não queria mais. Já havia ultrapassado meu limite.

Todos temos limites. Quero te convidar a parar por um tempo e pensar: qual é o SEU limite?
Se posso te dar um conselho, faça um exercício sobre sua essência, se conheça. Pegue um papel e escreva seus sonhos. Não abra mão deles.

Não comece a abrir exceções achando que as pessoas podem mudar. A verdade é que as pessoas nos dão sinais desde o começo. Desde o primeiro ‘oi, tudo bem?’ Interprete, fique atenta e, principalmente, conheça o seu limite. E não espere chegar até lá para dispensar alguém da sua vida.

Se o outro quer ficar na beira da praia, ok. Respeitar não significa aceitar.

Corra pro mar, garota. Deixe a areia para quem não tem coragem ou, simplesmente, não quer se molhar.

VIASamara Rosenberger
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