Adultos que nunca saem de casa penam mais para amadurecer…

Resiliência Humana

Em matéria de relacionamento amoroso um dos maiores pesadelos existentes é quando alguém se depara com um adulto-criança.

Não é espécie rara nem em extinção. No Brasil, pelo contrário, são criadas com esmero e em cativeiro, com comida bem nutritiva, independentemente de classe social.Em alguma medida esse fenômeno é compreensível.

Quanto mais hostil o mundo é noticiado as pessoas acabam vivendo mais fechadas em suas próprias bolhas de segurança. Na hora de educar os filhos, mesmo sabendo que eles não pertencem aos pais, o que acontece de verdade é que eles são criados mais para ficar presos emocionalmente do que livres.


As alegações são as mais variadas: os meninos são protegidos porque são percebidos como impetuosos mas ingênuos, as meninas ainda que vistas como mais espertas transitam por um mundo perigoso para as mulheres. Os pais agem como mestres às avessas, deveriam dar ferramentas de combate lá fora, mas acabam criando um mundo encantado e cheio de privilégios dentro de casa para que eles nunca voem muito longe.

Quando chega a hora de zarpar o voo aquelas crianças com cara de adultos, mesmo podendo pagar as suas contas, acabam presas pela sedução do colo do papai e da mamãe. Só aceitam mudar de casa se for para outra de nível semelhante ao dos pais. Sairão apenas depois dos 50 anos.

O pior é que mesmo aqueles mais convictos que pagam o seu aluguel sofrido certos de que são adultos acabam recorrendo facilmente aos pais. Basta qualquer aperto e já estão como filhotes assustados, buscando recursos financeiros e emocionais dos genitores. Entendo também que os reveses podem ser assustadores.

Mas sem uma dose de resiliência, paciência e autonomia ninguém é posto na trilha do amadurecimento. Quando chegam na vida amorosa o que sabem fazer é pedir amor e exigir favores. O parceiro amoroso precisa agir como um pai e mãe devotado; só vale chamego, elogio e venda nos olhos para os problemas cotidianos.

Crises e contratempos, divergências e perrengues: “xô pra lá, só quero prazer!”De galho em galho, de histórias-relâmpago para outra seguirão para sempre como Peter Pan, presos na terra do nunca-problema-nenhum. Mas acreditando como os garotos perdidos que são adultos só porque ganham bônus no final do ano.

FONTEFred Mattos
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